TOMATES E TAHOMAS

Ah! Como eu adoro texto em Tahoma. Vamos, palavras, saltitem na minha frente! Já! Isso, isso! Saltitem! Só mais um pouco! Porque adoro ainda mais quando sou eu que termino de formar linhas em Tahoma. Quem dirá um parágrafo em Tahoma! Pois quem diria. O primeiro parágrafo is done. Com um sorriso maroto bem grandão. Em Tahoma.

Isto aqui é na verdade um exercício de concentração, coisa que virou luxo nesses tempos da tal era da convergência. Bem pra mim, que um dia já respondi para as psicólogas do teste vocacional que queria fazer jornalismo porque “gosto de escrever”. Elas sorriram e exibiram meu cartaz na frente de toda classe (era um trabalho com colagens) porque “a gente tem que fazer na vida o que gosta, né, gente?”. Lixeiro gosta de assobiar, logo, portanto, é lixeiro. Alguma dúvida? Vamos adiante.

Então, eu gostava de escrever. Bastante. Cheguei a querer ser escritora. Era pilhada, chata, voluntária para redigir as peças de teatro do dia das mães, da semana da pátria, do dia da reforma, da noitada artística. Não consigo lembrar em específico quando aconteceu de escrever se tornar algo chato, mas foi em algum ponto depois que surgiu na vida uma coisa chamada faculdade de jornalismo. É irônico pagar para desgostar de alguma coisa e me arrependo de não ter procurado o Procon enquanto era tempo.

Mas não, teimosa, fiz até o final, apresentei TCC, colei grau, usei capelo, joguei capelo pra cima, ganhei parabéns, enchi a cara na formatura, vomitei no carro do sogro e vivi o pacote completo da formanda feliz. Nem assim recuperei aquela vontade inexplicável, que dava um quentinho na barriga, de querer escrever sobre tudo e sentar pra escrever sobre tudo. Nunca mais achei postura pra sentar e digitar idem, é só pensar em se concentrar pra escrever que as costas doem. Psicossomático. Sério, nesse momento, sem brincadeira. Ardem!

Mas - aqui caberia um palavrão, não consigo decidir qual - preciso praticar. Ando com a sensação de ser um tomate mofado na gaveta da geladeira. Sou vermelhinha e saborosa, não quero apodrecer. Péssima analogia ou não? O tomate não consegue fazer nada contra o fungo peludinho que cresce ao seu redor, mas serve se pensar em pegar o tomate e fazer logo a salada, mesmo que não se goste de salada. São dez em cada dez médicos que mandam comer salada, então come e não reclama.

Ou seja: em outras belas palavras escritas em Tahoma, para voltar a gostar de escrever,
só escrevendo.

6 Responses on "TOMATES E TAHOMAS"

  1. quê tal um belo purê pra comemorar?
    hahaha

    ;***

    hahaha muito bom "foi em algum ponto depois que surgiu na vida uma coisa chamada faculdade de jornalismo". É vero!

    Muito engraçado!

    E, ei, este é um blog novo? Mania!

    beijo

    Gosta mais de batata ou gosta mais de estudar? hahahaha Escreve e te liberta, menina! Beijo

    Bela reflexão! Apoiada!

    Divertido o texto.
    Besos

    Eu tbm desgostei um bom tanto depois da faculdade. Mas me obriguei a voltar a gostar. Tipo, é a única coisa que a gente sabe fazer, né?
    Então vamos fazer bem feito.

    Opa! Senta que lá vem história.. hahahahah

    Muito legal o texto, principalmente pra mim, que desde de novembro estou sem trampo. Porém, acompanhada do verão não consigo mofar.

    Beijo beijo! Feliz 2010!

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